Jantar de homenagem da Câmara de Comércio Americana

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Conforme preparado

14 de Março de 2019

Boa noite! Uma grande noite para celebrar a dinâmica das relações comerciais entre os Estados Unidos e Portugal.

Ana Filipa, estou grato pela simpática apresentação e, à Câmara de Comércio Americana, obrigado por acolherem este evento.

Tenho muita honra em estar aqui na companhia do Ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, que, juntamente com o Primeiro Ministro, é um promotor fundamental das nossas relações bilaterais a nível de comércio e investimento. Senhor Ministro, agradeço o seu empenho.

Embora o Primeiro Ministro não tenha tido infelizmente possibilidade de estar aqui hoje, gostaria de dizer umas palavras de reconhecimento pelo seu importante esforço em defesa da prosperidade dos dois países. O ano passado fiz uma viagem pelos Estados Unidos com o Primeiro Ministro ou, como gosto de dizer, fui de “costa a costa com o Costa”. Os contactos que fez injectaram uma nova e importante energia na nossa parceria económica que se percebe pelo crescimento das nossas relações comerciais.

Parabéns à Outsystems, Amyris e United, as três empresas que hoje vão ser aqui homenageadas. A Outsystems é o exemplo do sucesso transatlântico empreendedor que gostaria de celebrar todos os dias, enquanto a colaboração da Amyris com a AICEP e a Universidade Católica do Porto está de uma forma inteligente a associar a criatividade americana e portuguesa para desenvolver a inteligência artificial, entre outras áreas. Todos sabemos que esta colaboração vai dar grandes resultados! E, United, todos nós vos estamos muito agradecidos por tornarem as passagens de e para os Estados Unidos mais suaves e mais rápidas mas, mais ainda, por terem tornado mais fáceis as relações de negócios, turismo e interpessoais com os vossos voos directos.

Queria ainda agradecer a Rodolfo Lavrador, Presidente da Câmara de Comércio Luso-Americana em Nova Iorque, que tem sido incansável na promoção do comércio e investimento nos Estados Unidos e Portugal, e a Francisco Pinto Balsemão, da SIC, pela importante ligação com a comunidade portuguesa nos Estados Unidos.

Por fim, permitam-me que agradeça a todos os sócios da Câmara de Comércio que todos os dias procuram tornar mais ricos os laços que já existem entre os Estados Unidos e Portugal e criar novos laços.

O último evento deste tipo em finais de 2017 ficou-me na memória, claro, pois foi a primeira vez que fiz um grande discurso enquanto Embaixador dos EUA em Portugal. Nessa intervenção afirmei que alargar as nossas relações económicas e comerciais era uma grande prioridade para os Estados Unidos no seu relacionamento com Portugal e seria um ponto fundamental do meu trabalho aqui. Isso é tão verdade hoje quanto o era então e folgo em afirmar que as tendências são muito positivas tal como a perspectiva de futuro.

Os empresários aqui presentes bem como os nossos parceiros do governo merecem muito crédito pelo modo como a parceria económica está a prosperar. Não só assistimos a um crescimento do comércio e investimento bilateral, mas também vemos colaboração entre empreendedores americanos e portugueses para avançar na inovação. O que pode alimentar esta fogueira é uma maior reciprocidade para que tenhamos relações comerciais livres e justas no mundo.

Comércio e Investimento Bilateral

A minha formação é na área dos negócios e passei a maior parte da minha carreira a trabalhar em assunto ligados ao investimento. Vim para Portugal com o objectivo de fortalecer este pilar e acho que juntos temos para já uma grande hsitória para contar.

A forte recuperação económica de Portugal e o seu reconhecimento como destino turístico a nível mundial está a atrair cada vez mais a atenção das empresas americanas e a encorajar as empresas portuguesas a expandirem-se no estrangeiro. Segundo o relatório 2018 Informa, da Dunn & Bradstreet, estima-se em 540 as empresas controladas por americanos existentes em Portugal, com uma significativa criação de emprego. Ao mesmo tempo, as empresas portuguesas estão activas nos Estados Unidos, com um investimento de $1100 milhões em 2017, um aumento de 14,4% face a 2016. O crescimento do comércio bilateral reflecte claramente esta dinâmica. Em 2018, o comércio de mercadorias subiu o valor estimado de 14% comparado com o ano transacto.

A soja e o gás natural líquido têm sido os motores principais desta trajectória positiva – colocando Portugal no centro das discussões comerciais entre Estados Unidos e União Europeia. Como sabem, quando foi acordado o início desta diálogo sobre comércio em Julho de 2018, os Presidentes Trump e Juncker deram indiscutível ênfase a estes dois produtos.

Mas ainda antes desse momento, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o Presidente Trump falaram da importância do Porto de Sines na segurança energética da Europa como a entrada de gás natural líquido dos EUA na Europa. A primeira remessa chegou em 2106 e em Agosto de 2018 Sines tinha recebido 28.800 milhões de pés cúbicos de gás natural líquido e continua a chegar. Mas há espaço para muito mais. Temos de trabalhar em conjunto para desbloquear este potencial de modo a que Portugal se possa tornar um hub de gás atlântico e o garante da segurança energética europeia.

Tendo testemunhado a chegada do navio  Panamax carregado de soja dos EUA, não quero deixar de mencionar que os agricultores americanos que cultivam soja mais do que quadruplicaram as vendas para Portugal em 2018.

Inovação

Mas o fluxo comercial não diz tudo. O contributo da inovação americana e portuguesa  deu novo vigor à nossa parceria.

Ao longo de 2018 tanto o Primeiro Ministro como o Presidente viajaram pelos Estados Unidos para realçar junto das empresas americanas aquilo que vocês já sabem  – que Portugal tem uma economia dinâmica e inovadora com uma força de trabalho sofisticada e cheia de talento.

Esta mensagem foi de facto ouvida como se percebe pelos anúnicos da Oracle e da Google, entre outras, de se estabelecerem ou alargaram a sua presença em Portugal.

O Web Summit – um evento de classe mundial – tornou-se um terreno de recrutamento para organizações americanas de desenvolvimento económico que tentam atrair os quadros das startups portuguesas para os seus estados. As nove organizações que estiveram na edição de 2018 saíram entusiasmadas com o ambiente inovador que conheceram e as possibilidades de comércio e investimento que descobriram.

E há dois dias, mais uma vez fomos anfitriões, no Porto, de treze organizações de desenvolvimento económico estaduais num evento sobre investimento em antecipação à cimeira SelectaUSA que vai ter lugar em Washington, no próximo mês de Junho. Notou-se muito interesse neste evento do Porto pois tivemos mesmo que rejeitar vários delegados de estados americanos. Mas vamos arranjar outra ocasião para eles cá virem – de certeza que não vai ser difícil tendo em conta o ritmo da actividade económica em Portugal nestes dias.

Do mesmo modo, os cultivadores de amêndoa da Califórnia encontraram uma terra de oportunidade no Alqueva, partilhando os seus conhecimentos de produção e ao mesmo tempo usando de forma responsável a grande dádiva natural dos recursos aquíferos desta região que nasceu da abordagem inovadora à irrigação.

2019 – o ano da reciprocidade

2018 foi sem dúvida um ano muito activo e cheio de entusiasmo com importantes desenvolvimentos nas nossas relações económicas. Mas, como disse anteriormente, podemos e vamos fazer melhor! 2019 vai ser o ano da reciprocidade.

Eu e a minha equipa vamos continuar a trabalhar afincadamente para promover a prosperidade no meu país e em Portugal – uma economia portuguesa forte cria oportunidades para os Estados Unidos e vice versa.

Um elemento importante da prosperidade é garantir que os jovens têm as competências certas para contribuir para a inovação da economia. Com isto em mente, Portugal e os EUA assinaram um Memorandum de Entendimento para criar um programa piloto que ofereça aos estudantes e empreendedores americanos e portugueses a oportuniadde de adquirir uma considerável experiência de trabalho em organizações inovadoras.

Ao longo do último ano e meio tive muitos contactos com entidades portuguesas de todos os quadrantes. Sempre apreciei o apoio e cooperação do Primeiro Ministro e da sua equipa no tempo que cá estou e sou muito grato por isso. Os meus colaboradores da Embaixada dizem-me muitas vezes que temos mais facilidade de acesso aqui do que nos outros países onde trabalharam. E por isso quero deixar bem claro que compreendo e aprecio o carácter especial da nossa relação.

Este ano estou focado em estabelecer contacto com comunidades de todo o país para conhecer em primeira mão a indústria que incute dinamismo na economia portuguesa. Há algumas semanas visitei a empresa Navigator, com quem a Administração trabalhou eficazmente para resolver uma questão comercial que afectou as exportações da empresa para os EUA no ano passado.  No início da semana visitei a corticeira Amorim no Porto. E na terça feira a EDP, que agora tem 5.5 GW de activos eólicos e solares em 14 estados federais através da subsidiária EDPR, renovou o já forte compromisso de fornecer energia limpa aos americanos. O plano é investir mais do que 5.000 milhões de dólares em renováveis na América do Norte até 2022, sendo que a parte de leão irá para o poderoso mercado dos EUA – onde já investiu 9.000 milhões de dólares. Estas são três empresas inovadoras portuguesas com fortes laços aos Estados Unidos. Sei que há muitas outras.

E continuando, vou procurar encontrar-me com diversas comunidades portuguesas e através dessa interligação promover as nossas relações económicas.

Claro que, neste aspecto, ninguém melhor que o sector privado norte-americano para liderar este sector e estamos disponíveis para ajudar.

Empresas de energia, transportes, turismo e tecnologia de ambos os lados do Atlântico estão a trabalhar com os dois governos para criar as ligações, fazer as associações certas de pessoas e capital e garantir que a política continua a ser um veículo e não um obstáculo ao crescimento se tratarmos das muitas barreiras não-tarifárias que afectam o fluxo comercial.

A Administração está focada em estabelecer relações comerciais livres, justas e recíprocas em todo o mundo. Mais importante na parceria EUA-Portugal, como atrás referi, iniciámos um diálogo comercial com a União Europeia. Esperamos que estas discussões comerciais afirmem que a política é um veículo e e não um obstáculo ao crescimento se tratarmos das muitas barreiras não-tarifárias que afectam o fluxo comercial.

Mas uma maior ameaça ao comércio livre, justo e recíproco – assim como potencial ameaça à segurança nacional – tanto para as empresas portuguesas como americanas vem das práticas comerciais desleais da China e da influência que as suas empresas estatais exercem sobre as empresas e economias onde investem.

Sejamos claros. Os EUA nunca foram anti-China. Os Estados Unidos foram dos primeiros a saudar e promover o crescimento económico da China e a sua abertura ao mundo e a China beneficiou disso amplamente, sobretudo por ter enviado tantos jovens para os Estados Unidos para estudar.

E quero ser duplamente claro que não estou a pôr em causa a histórica relação de Portugal com a China, nem o seu desejo de atrair capital o que faz, evidentemente, todo o sentido económico.

Mas temos de estar cientes e reconhecer que, embora a China tenha feito um bom jogo quanto a tornar-se uma verdadeira economia de mercado, a promessa de reforma foi uma ilusão e o estado controla directamente os sectores e empresas mais importantes daquela economia.

Temos também de estar atentos ao facto de a China ter impulsionado o seu crescimento económico através de uma implacável estratégia de espionagem industrial e roubo descarado. Este é apenas um exemplo, mas vejam a acusação dos Estados Unidos à Huawei pelo seu esquema fraudulento para roubar a mais importante inovação patenteada T-Mobile, um robot usado para testar as funções dos telefones móveis.

A Europa e os EUA têm de trabalhar em conjunto para proteger as suas fortes economias assentes na propriedade criativa e intelectual dos nossos cidadãos – criatividade que vemos em empresas como a Outsystems e a Amyris.

O que vejo para o futuro é uma grande oportunidade para as relações económicas entre os EUA e Portugal, com mais empresas americanas a seguir a Amazon Web Services, entre outras, para Portugal e mais empresas portuguesas, como a EDP ou a Talkdesk, que recebeu da empresa de Nova Iorque Viking Global o financiamento 100 milhões de dólares, a apostar na vibrante economia americana.

Para concluir, quero agradecer à Câmara de Comércio Americana por nos ter dado esta oportunidade para celebrar a crescente, inovadora e recíproca parceria económica entre os EUA e Portugal. 2019 teve um começo vigoroso e espero trabalhar em defesa da prosperidade dos EUA e de Portugal.

Obrigado.